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Eleições 2026: TSE fecha acordo com ElevenLabs contra deepfakes de voz

Parceria prevê criação de lista de “vozes proibidas” de candidatos e autoridades eleitorais

Logo das Eleições 2026. Fundo branco Arte: Secom/TSE
Logo Eleições 2026. Arte: Secom/TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) firmou um acordo de cooperação técnica com a empresa britânica de inteligência artificial ElevenLabs para coibir o uso fraudulento de áudios sintéticos durante as Eleições Gerais de 2026. 

A parceria prevê a criação de um mecanismo de proteção para bloquear a clonagem não autorizada de vozes de candidatos e autoridades, além de integrar recursos de voz aos canais de atendimento digital do Tribunal. 

O Memorando de Entendimento nº 26/2026 foi assinado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, e pelo cofundador da companhia, Mateusz Staniszewski, na última segunda-feira (3).  

O acordo integra o Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação da Justiça Eleitoral e não prevê repasses financeiros entre as partes. A vigência vai até 31 de dezembro de 2026. 

A ElevenLabs é uma das principais plataformas globais especializadas na geração e clonagem de voz por inteligência artificial. A preocupação da Corte Eleitoral se dá diante do avanço acelerado do uso de deepfakes de áudio em disputas políticas, recurso utilizado para simular declarações falsas com alto grau de verossimilhança. 

Eixos da parceria 

O acordo prevê o bloqueio preventivo de vozes protegidas, o rastreamento de áudios manipulados gerados na plataforma e a ampliação da acessibilidade do eleitor via comando de voz. 

A cooperação está estruturada em três frentes principais:  

  • Bloqueio de clones de voz: no combate à desinformação, a empresa compromete-se a manter uma lista de "Vozes Protegidas" (No-Go Voices), restringindo a criação de versões sintéticas da voz de figuras públicas designadas pelo TSE, como candidatos registrados e servidores da Justiça Eleitoral. 

  • Rastreamento de fraudes: a companhia dará suporte a investigações do Tribunal para identificar se áudios sob suspeita de fraude foram gerados em seus sistemas. Ao término das eleições, a empresa deverá entregar um balanço com o total de tentativas de manipulação identificadas ao longo da campanha. 

  • Acessibilidade por voz: o TSE passará a utilizar gratuitamente as ferramentas de conversão de texto em fala e reconhecimento de voz da ElevenLabs em seus serviços públicos, a começar pelo Assistente Eleitoral. A iniciativa busca facilitar o acesso de eleitores com deficiência visual, de pessoas idosas ou de pessoas com baixo letramento digital a informações sobre local de votação, situação eleitoral e documentos. 

 Segundo os termos do documento, os compromissos de fiscalização da empresa ficam restritos aos conteúdos gerados por sua própria plataforma, não abrangendo ferramentas criadas por terceiros. 

OA/LC/FP 

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