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Exercício de cidadania: 96 mesários passam por treinamento para eleição simulada no Maranhão
Capacitação para teste deste domingo (23) transforma voluntários em fiscalizadores do processo eleitoral
Paulino Neves (MA) — Em vez de giz e lousa, urna, biometria e manuais de procedimento, a rotina da Escola Municipal Professora Maria da Conceição Soares, em Paulino Neves, município distante 300 quilômetros de São Luís, ganhou contornos diferentes. Lá, 96 mesárias e mesários que atuarão na eleição simulada deste domingo (23) receberam treinamento do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA). A ação foi acompanhada por técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A dinâmica nas salas de aula contou com simulações de fluxo de eleitores, testes de acessibilidade e resolução de eventuais falhas nos equipamentos. O grupo aprendeu a operar a urna eletrônica, que reproduzirá integralmente a rotina do dia de votação oficial.
“Educar para a cidadania”
A presença marcante de educadores entre os convocados deu o tom pedagógico ao treinamento. Para o professor da rede municipal Lucas Oliveira Carvalho, de 29 anos, assumir a mesa receptora de votos ultrapassa o mero cumprimento de um dever burocrático.
“É muito interessante ver Paulino Neves contemplada com uma programação desse porte. Para mim, além do crescimento pessoal e profissional, poder contribuir diretamente para a democracia é algo de grande importância”, afirmou Lucas.
A professora Josélia Soares, de 32 anos, destacou o entusiasmo da comunidade escolar e o orgulho local ao ver a própria unidade de ensino transformada em sede do projeto.
“Ficamos muito felizes ao saber que nosso município receberia as eleições simuladas e que a nossa escola foi a escolhida para sediar o evento. Todos ganham com esse movimento: os mesários, que têm seus benefícios garantidos, e a cidade. Estamos divulgando ao máximo para engajar o maior número de pessoas”, relatou Josélia.
Segurança e transparência
Por trás da fluidez do treinamento está uma engrenagem técnica rigorosa. Com três décadas de atuação na Justiça Eleitoral, o chefe do Núcleo de Segurança da Informação do TRE-MA, Antônio Ferreira da Costa Filho, explicou que a preparação dos locais e o treinamento presencial são as garantias para um pleito sem percalços.
“Nosso trabalho é organizar toda a logística, desde a escolha e preparação dos locais de votação até a capacitação dos mesários, garantindo que o processo flua de forma muito tranquila. Com esse treinamento, evitamos erros de procedimento e asseguramos que o grupo saiba exatamente como agir em cada situação”, destacou Antônio.
Entre as diretrizes passadas durante a capacitação, o técnico enfatizou o zelo com a checagem dos equipamentos e o respeito irrestrito aos direitos do cidadão na fila.
“Orientamos desde a verificação inicial do material — conferindo se a urna recebida é a exata correspondente àquela seção — até o auxílio direto ao eleitor. Reforçamos, principalmente, a atenção no encerramento: o mesário não pode cometer o erro de encerrar a votação enquanto ainda houver eleitores na fila, pois isso gera transtornos desnecessários, por exemplo”, concluiu o chefe de segurança.
Ao acompanhar a capacitação dos mesários, a presidente do TRE-MA, desembargadora Maria Francisca Gualberto de Galiza, lembrou que já atuou na função de mesária. Durante o encontro, Galiza destacou a dedicação dos voluntários.
Para a presidente do Regional, a atuação dos mesários convocados ultrapassa a execução de tarefas operacionais, constituindo um pilar central na defesa da transparência do processo eleitoral.
“Os mesários são os verdadeiros cidadãos que acreditam na democracia. Em um momento em que se busca colocar dúvidas sobre as urnas eletrônicas, eles estão aqui para mostrar que representam a Justiça Eleitoral e fiscalizam o processo. Eles são a nossa porta de entrada para uma eleição transparente e segura”, frisou a presidente do TRE-MA.
Teste real
A simulação deste domingo funcionará como um teste real para os sistemas e para a equipe recém-capacitada, preparando o terreno com antecedência para o pleito de outubro.
A votação simulada mobilizará 24 seções eleitorais espalhadas pelas zonas urbana e rural de Paulino Neves. Acompanhada por técnicos e observadores do TSE, a atividade coletará dados em tempo real sobre a transmissão de resultados e a dinâmica de atendimento nas urnas.
A eleição simulada é mais um mecanismo da Justiça Eleitoral para testar os sistemas do pleito. A votação utiliza candidaturas fictícias para reproduzir exatamente o ambiente do dia da eleição, desde a abertura das seções até a emissão do Boletim de Urna. A iniciativa nasceu no Maranhão, em 2004, e tornou-se referência para o país.
OA/LC/DB
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