TPS 2016: criadores da urna acompanham trabalho dos investigadores

Teste Público de Segurança

Este ano a urna eletrônica completa 20 anos e, ao mesmo tempo, passa pelo terceiro Teste Público de Segurança (TPS). Do grupo conhecido como os “cinco ninjas” que criaram a urna eletrônica, três deles acompanham de perto o trabalho dos investigadores durante os dias 8, 9 e 10 de março na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O grupo ficou conhecido por ninjas porque três deles eram de ascendência japonesa: Paulo Nakaya, Osvaldo Catsumi Imamura e Mauro Hashioka (falecido em dezembro de 1999). O quarto integrante era Antonio Esio Marcondes e o quinto, o atual secretário de Tecnologia de Eleições do TSE, Giuseppe Janino. Naquela época, Giuseppe havia passado no primeiro concurso público realizado pelo TSE. Como foi o primeiro colocado, foi designado pelo então secretário de Informática, Paulo Camarão, para compor o grupo de ninjas.

Giuseppe Janino

“Eu tive a honra e a oportunidade de ser o quinto ninja e trabalhar com essa equipe. Hoje, a gente tá expandindo esse trabalho e sempre buscando novas contribuições, e a forma mais democrática que a gente pode ter para obter essas contribuições é por meio dos testes públicos de segurança, onde qualquer cidadão brasileiro maior de 18 anos pode vir e dar sua contribuição na melhoria do processo eleitoral”, destaca Giuseppe ao ressaltar que este é um processo democrático participativo.

Segundo o secretário, a evolução desses 20 anos mostra uma mudança inclusive de paradigma, já que houve a evolução de um processo eleitoral totalmente manual, com muita intervenção humana, lento, repleto de erros e de fraudes, para um novo patamar, graças à introdução da tecnologia. “O grande carro chefe dessa mudança foi a urna eletrônica. Então, como nós tivemos participação nesse trabalho, trabalhamos no projeto da urna eletrônica, ficamos muito felizes de ver essa evolução”, lembra ele.

Por fim, destaca que a realização do TPS é mais uma evidência da construção de um cenário que começou desacreditado e se transformou num cenário com alto nível de credibilidade.

Osvaldo Catsumi

Convidado pelo TSE para compor a Comissão Avaliadora do TPS 2016, Osvaldo Catsumi revela que às vezes precisa se segurar para não interferir no trabalho dos investigadores, de tão instigado que fica com a realização do TPS. “É igual pai cuidar de um filho. Todas essas iniciativas, as novas formas de ver o equipamento, de tratar, de colocar novas propostas são todas válidas. Na verdade, a justificativa de tentar me segurar é por ter vontade de compreender a intenção das novas propostas e fazer parte novamente do desenvolvimento do sistema. Assim, a gente consegue manter esse vínculo por algum tempo ainda. Mas fico muito tranquilo porque o sistema está sendo muito bem conduzido e bem utilizado por toda a nação”, diz um dos ninjas.

Ele destaca ainda que o plano inicial era que todo desenvolvimento fosse algo que pudesse ser continuado. “Esse princípio está sendo mantido pela equipe atual com todo o rigor e o conhecimento necessário para que a Justiça Eleitoral tenha um produto que, apesar de ter inovações, a cada eleição, seja algo com que os eleitores tenham grande familiaridade. Então, na parte de segurança, a gente procura aperfeiçoar o sistema, mas ao mesmo tempo não se pode criar nenhum impacto nessa relação do eleitor com a urna. Precisa ser um sistema que seja fácil de usar e possa expressar o voto de todo mundo”, observa. Catsumi atualmente faz parte do Instituto de Estudos Avançados (IEA) do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial.

Antonio Esio

Integrante da Comissão Reguladora, Antonio Esio atua no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mas mantém um trabalho contínuo junto a Justiça Eleitoral no sentido de apoiar as atividades desde a criação da urna eletrônica. “As questões técnicas evoluem, então a Justiça Eleitoral, na medida do possível, já criou expertise própria para poder trabalhar com as urnas eletrônicas. Mas mesmo assim vem considerando o auxílio de outras instituições para poder desenvolver novas tecnologias de apoio à segurança da urna. Hoje, é bastante interessante a gente ver o TPS, porque a gente observa que, por mais que a gente pense em todas as soluções, às vezes você está tão inserido num problema que uma pessoa de fora pode observar um detalhe, trazer uma sugestão, uma característica que pode resultar numa fragilidade da urna eletrônica. Então, o mais interessante de tudo isso é como a Justiça Eleitoral lida com isso. Ela está aberta e expõe esse equipamento para ouvir esses especialistas que trazem sugestões interessantes. É como se fosse um filho que você jogou no mundo, mas ele não é perfeito, então vamos em frente que ele vai evoluir”, reflete, destacando que a tecnologia sempre evolui e sempre existem novos instrumentos de ataque, portanto, é necessário conviver com isso.

“Eu, como essencialmente da área de tecnologia, vibro com isso porque é sempre uma novidade, então é algo que revigora, é interessante porque não fica numa mesmice”, acrescenta.

Antonio Esio lembra ainda que no início da criação da urna, a equipe tinha alguma dimensão da importância do que estava fazendo. “Mas só caímos na real quando, no dia da eleição, vemos 500 mil equipamentos ao mesmo tempo e monitoramos eles no Brasil inteiro. É uma festa democrática, algo muito grande”, comemora.

O “ninja” Paulo Nakaya é aposentado e, eventualmente, presta consultoria para a Justiça Eleitoral sobre a urna. Este ano não participará do Teste de Segurança.

Investigadores

Hoje é o segundo dia de trabalho dos 13 investigadores que continuam executando os planos de ataque traçados para o TPS 2016. Todos os êxitos que eles eventualmente consigam servirá de base para o TSE fazer ajustes no sistemas da urnas a fim de reforçar a segurança e o sigilo do voto.

CM/LC

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