Série urna eletrônica: testes de segurança mostram transparência e permitem avanços no sistema

Baseado nos pilares da segurança e da transparência, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já realizou duas edições dos Testes Públicos de Segurança do Sistema Eletrônico de Votação, em 2009 e 2012. Nas duas oportunidades, investigadores inscritos apresentaram e executaram planos de "ataque" aos componentes externos e internos da urna eletrônica e sistemas correlatos. Como resultado dos testes, o TSE tomou medidas para reforçar a segurança dos equipamentos e programas de computador e garantir eleições ainda mais confiáveis.

Segundo dia de testes da urna eletrônica com protuto congelante. Brasilia/DF 21/03/2012 Foto:Car...

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Baseado nos pilares da segurança e da transparência, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já realizou duas edições dos Testes Públicos de Segurança do Sistema Eletrônico de Votação, em 2009 e 2012. Nas duas oportunidades, investigadores inscritos apresentaram e executaram planos de "ataque" aos componentes externos e internos da urna eletrônica e sistemas correlatos. Como resultado dos testes, o TSE tomou medidas para reforçar a segurança dos equipamentos e programas de computador e garantir eleições ainda mais confiáveis.

O objetivo dos testes é contribuir para o aperfeiçoamento do software e/ou do hardware da urna eletrônica e dos demais programas eleitorais, para aprimorar a segurança e a confiabilidade do sistema eletrônico de votação. “Os testes de segurança são uma evidência do compromisso da Justiça Eleitoral e da área de Tecnologia de transparência com o eleitor”, afirma o secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal, Giuseppe Janino.

Em ambas as oportunidades foram selecionadas, por comissão avaliadora composta por acadêmicos e cientistas, as melhores propostas de tentativas de ataque. “O objetivo dos testes não se restringe a um desafio. É muito mais do que isso. É aproveitar a contribuição da sociedade brasileira, principalmente daqueles que têm um conhecimento específico, para contribuir com progressos”, explica Janino.

1ª edição

A primeira edição dos testes foi realizada de 10 a 13 de novembro de 2009, na antiga sede do TSE, em Brasília-DF. Nenhum dos testes conseguiu violar a urna e os programas colocados à prova. No entanto, as ideias apresentadas pelos especialistas contribuíram para o aperfeiçoamento tecnológico da votação. Sérgio Freitas, especialista em Tecnologia da Informação, que foi premiado, tentou violar o sigilo do voto por meio da captação de ondas eletromagnéticas emitidas pelas teclas da urna durante a digitação.

Apesar de não obter sucesso, já que o aparelho de rádio utilizado pelo investigador somente conseguiu captar essa radiação a uma distância de 10 centímetros da urna eletrônica, o que na prática torna inviável a violação, o TSE desenvolveu novas barreiras de segurança. O secretário explica que foi implantada no teclado da urna, uma espécie de blindagem que minimizou a irradiação das teclas. Essa medida impede que um simples aparelho de rádio capte os sons emitidos pelas teclas da urna.
Outra melhoria foi feita nos lacres dos envelopes. Desde a conclusão dos testes de 2009, os envelopes começaram a ser relacionados numericamente com os lacres, isto é, passaram a ter o mesmo número que os lacres.

Progressos na 2ª edição

Já a segunda edição dos testes foi realizada de 20 a 22 de março de 2012 e teve como premiado em primeiro lugar o grupo formado por servidores da Universidade de Brasília (UnB), que conseguiu refazer o sequenciamento dos votos apresentados pelo Registro Digital do Voto (RDV) sem, contudo, quebrar o sigilo do voto, pois não conseguiu relacionar o nome dos eleitores com os votos digitados na urna. O RDV é uma lista emitida após todo o processo de votação e apuração dos votos, que objetiva permitir aos partidos políticos e outros interessados realizar eventual recontagem da votação.

Os votos digitados na urna são gravados de forma aleatória, a partir de um algoritmo computacional, o que impede seu sequenciamento, uma vez que são embaralhados digitalmente na hora em que são gravados. O que o teste conseguiu foi colocar os votos na ordem em que foram digitados na urna. Entretanto, seria praticamente inviável saber a ordem de votação, já que esta é feita por ordem de chegada à seção e a lista de eleitores de uma determinada seção é disponibilizada aos mesários em ordem alfabética.

Além disso, o secretário diz que o ataque do grupo da UnB só foi possível graças à disponibilização, aos participantes, do código-fonte de todos os softwares executados pela urna, algo que, em uma eleição normal, não ocorre. 

Para Janino, a qualidade das pesquisas contribuiu para melhorar ainda mais a segurança da urna eletrônica. “Alguns dias depois dos resultados, já tínhamos um algoritmo muito mais forte. Esse retorno do segundo teste contribuiu no sentido do fortalecimento do algoritmo e do embaralhamento do RDV. Com isso, não há como identificar a sequência de votos do eleitor. Além disso, o sistema apaga os votos brancos (quando alguém falta) para dificultar ainda mais a identificação da sequência de votação”, explica. 

Saiba mais sobre a segurança da urna

Para conhecer mais sobre os recursos de segurança do sistema eletrônico de votação brasileiro acesse a cartilha Por Dentro da Urna (formato PDF), lançada em 2010, e conheça as dúvidas mais frequentes dos eleitores.

CL/GA, LC

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