Ministra Cármen Lúcia reitera importância da superação da desigualdade de gênero no Judiciário
Presidente do TSE participou, nesta sexta (20), de evento da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, reiterou, nesta sexta-feira (20), a necessidade urgente de superação da desigualdade entre homens e mulheres no Poder Judiciário brasileiro. A declaração foi feita durante o 7º Encontro da Comissão Anamatra Mulheres e de Lideranças Associativas Femininas, promovido pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra).
“O Judiciário que não tem a perspectiva de gênero na sua composição não a terá em seus julgamentos”, afirmou a ministra. Durante a palestra “Ampliação e fortalecimento da participação de magistradas nos espaços políticos”, Cármen Lúcia destacou que o ingresso de mulheres na magistratura ainda é dificultado, cenário que se agrava quando o foco recai sobre cargos de liderança.
Segundo a ministra, o preconceito é orquestrado para impedir a repartição do poder. “Se eu perguntar, nenhum juiz, desembargador ou ministro dirá ser a favor da desigualdade. Eles nem sabem que têm preconceito. Precisamos ensinar o que é o preconceito, pois o discurso vazio não leva a lugar nenhum. Se somos todos a favor da igualdade, por que temos que lutar todos os dias contra a desigualdade?”, questionou.
A ministra Cármen Lúcia foi categórica ao afirmar que, embora o princípio da igualdade norteie a Constituição Federal, ele é descumprido diariamente pelo fato de as mulheres não gozarem das mesmas condições de trabalho e desenvolvimento social. "A sociedade brasileira vive um estado de inconstitucionalidade permanente", frisou.

Representatividade
Embora as mulheres componham a maior parte da força de trabalho no Judiciário — representando 56% do quadro total de servidores —, o protagonismo feminino encontra barreiras para se refletir nos postos de cúpula. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que a representação decai conforme a hierarquia avança: elas ocupam 45,7% das vagas de juízas substitutas na base da carreira, mas o índice cai para 25,7% no segundo grau e atinge patamares ainda mais restritos nas cortes superiores.
Como resposta, a Resolução nº 525 do CNJ estabeleceu uma política de ação afirmativa que obriga tribunais a alternar editais de promoção por merecimento entre listas mistas e exclusivas para mulheres. A medida, que vigora até que cada corte atinja a paridade de 40%, já viabilizou a promoção de 70 magistradas para a segunda instância entre 2024 e o início de 2026.
Apesar do avanço normativo, a ministra criticou a resistência nas escolhas. “Na hora das nomeações, não se nomeiam mulheres. Não vejo nem as listas indicarem a maioria de mulheres”, afirmou, revelando que, mesmo sendo ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), enfrenta preconceito. “Eu sofro todo tipo de discriminação o tempo todo”, disse.
Fortalecimento institucional
O presidente da Anamatra, juiz Valter Souza Pugliesi, reforçou que a conquista de espaços pelas mulheres, por meio da competência e da coragem, fortalece as instituições ao trazer novas perspectivas.
Segundo ele, a promoção da igualdade exige o apoio de toda a sociedade, incluindo a participação ativa dos homens. “É necessário impulsionar a presença feminina para alcançarmos conquistas significativas e novos horizontes”, defendeu.
OA/LC, DM

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