Servidora do TRE-PE é exemplo de força de vontade

Maiara Rocha deu depoimento emocionante no último concurso de remoção de servidores realizado pelo Tribunal Regional de Pernambuco

Nós somos a JE servidora do TRE-PE em 30.03.2021

A técnica Judiciária do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) Maiara Rocha está de malas prontas para se mudar para Trindade, município a 650 quilômetros da capital do estado. Atuando em São José do Egito (PE), ela participou, no último dia 22, de um concurso de remoção do Regional e conseguiu a transferência que tanto desejava. Na bagagem, ela leva também muitos sonhos e a certeza de que fará o melhor para a Justiça Eleitoral, assim como sempre fez em sua trajetória de vida.

Veja o depoimento de Maiara Rocha.

No ano passado, Maiara estava no meio da rua vendendo lanches. “E hoje estou aqui escolhendo uma cidade para ser técnica e dar o meu melhor. Então, eu agradeço a Deus”, disse, emocionando a todos que participaram do processo, realizado pela primeira vez de forma virtual.

“Foi muito difícil a minha caminhada até aqui. Muita gente não acreditou que eu conseguiria, mas eu sempre busquei enxergar o copo pelo lado cheio. Estou imensamente feliz e vou tentar aprender tudo o que estiver ao meu alcance para servir aos eleitores pernambucanos e ser útil na Justiça Eleitoral”, afirmou.

Maiara nasceu em Areão, no interior da Bahia, onde passou parte da infância morando com os avós e a irmã. Ainda criança, quando tinha apenas 5 anos, seu avô faleceu. Ela então se mudou para Fortaleza (CE), onde a mãe já trabalhava como empregada doméstica há alguns anos, desde que precisou fugir da seca e da intensa pobreza que afligia a família no sertão baiano.

Sempre acreditando que a educação abriria portas para uma vida mais digna para ela e para a sua família, Maiara, mesmo nos tempos mais difíceis, nunca abandonou seus sonhos. “Eu sempre estudei em escola pública e me alimentava com a merenda da escola. Me esforçava muito nos meus estudos, tirava as melhores notas da sala e era convocada para representar a escola em eventos e olímpiadas”, contou.

Diversidades

Aos 12 anos, Maiara mudou de cidade novamente. Dessa vez, para o Rio de Janeiro, a fim de cuidar dos filhos de uma família, em troca de alimento e proteção. Não demorou muito no Rio e logo ela voltou para Fortaleza. Precisando trabalhar para auxiliar no sustento da família, não pôde cursar o Ensino Médio, o que só foi feito alguns anos após, seguido pelo curso superior em Recursos Humanos.

Nesse período em que buscava um emprego, Maiara ouviu falar de uma seleção para menor aprendiz em uma escola técnica da cidade e decidiu tentar. Apesar da sua força de vontade, esbarrou novamente na falta de dinheiro. Determinada a fazer a prova, a jovem arriscou e foi conversar com os responsáveis pela inscrição.

“Eu sempre fui muito pidona, porque não tinha condições mesmo. Então cheguei no local da inscrição e disse que não tinha o dinheiro para pagar, mas que eu precisava fazer aquela prova, porque eu iria passar”, contou. As pessoas ajudaram e ela passou. O curso técnico em confecção contribuiu para a sobrevivência da família por muito tempo.

A história de Maiara na Justiça Eleitoral começou, de certa forma, em 2012. Ao observar um rapaz lendo uma apostila de concurso dentro do ônibus, ela ouviu dele um conselho que jamais esqueceu. “Se você estudar e passar em uma prova, você fica rica. Ganha dinheiro fixo e estabilidade”, respondeu o moço, ao ser indagado por Maiara sobre o que ele lia com tanto interesse.

Empolgada, ela foi conversar com o marido, Claudiney, que apoiou a ideia e deu um jeito de comprar um computador e contratar um provedor de internet para que Maiara pudesse estudar. Ao pesquisar sobre a prova, aos poucos, ela compreendeu o que era um concurso público e, percebendo a importância do serviço, decidiu que não se submeteria a uma seleção qualquer apenas para ganhar a tão sonhada estabilidade. Ela queria passar em um concurso por meio do qual encontrasse propósito para atuar.

Mas a rotina de Maiara trabalhando com confecção não permitia que ela reservasse um tempo do seu dia para estudar. “Eu trabalhava na máquina de costura, assistindo a videoaulas. Quando largava, meia-noite, eu parava um pouco e lia as apostilas, durante a madrugada”, contou.

Novos caminhos

Após dois anos de estudo, Maiara prestou o primeiro concurso e, para sua infelicidade, não passou. Mas ela decidiu que tentaria novamente. Foi naquela época que viu o edital do TRE de Pernambuco e, ao ler sobre a atuação de técnico judiciário, sentiu um imenso desejo de desempenhar a função.

Foram dois longos anos de estudo, mais árduo e sacrificante, pois Maiara, mãe de duas meninas, largou o trabalho para se dedicar integralmente à sua meta. Durante esse tempo, não acompanhou o desenvolvimento das filhas, deixando as meninas aos cuidados de Claudiney.

“Eu passava o dia inteiro trancada no quarto estudando. No final do dia, brincava com elas um pouco e logo voltava para o quarto para estudar novamente”, relembrou, emocionada.

O dia da prova finalmente chegou e Maiara viajou de ônibus para Recife (PE), com o dinheiro que juntou para comprar a passagem. Tempos depois, recebeu a notícia de que tinha sido aprovada. No entanto, como não estava no início da listagem, não seria chamada de imediato.

Maiara então foi trabalhar numa empresa de call center, mas, de repente, ficou desempregada e decidiu que venderia lanches no centro da cidade para ajudar nas despesas da família. As vendas começaram com um isopor e alguns docinhos e, pouco a pouco, o negócio deslanchou e a empreendedora inseriu outros lanches, como bolos e salgados variados. O pequeno comércio se tornou o ganha-pão da família.

Dias de alegria

Em uma manhã comum, enquanto produzia os lanches que seriam vendidos no dia seguinte, o telefone tocou. Ao ouvir “Maiara, o TRE de Pernambuco está te procurando há algum tempo. Você vai querer a vaga?”, ela nem esperou a moça terminar de falar e pulou de alegria.

No dia 22 de janeiro deste ano, Maiara foi empossada como servidora do TRE-PE, onde leu o termo de compromisso e fez o juramento. “Para nós que estudamos por muito tempo, é uma honra chegarmos até aqui. Tenho certeza de que todos nós estamos comprometidos em sermos bons servidores, focando sempre em servir ao cidadão pernambucano”, declarou na ocasião, em nome de todos os colegas que tomaram posse junto com ela.

Concurso de remoção

No último dia 22 de março, a administração do TRE-PE realizou um dos maiores concursos de remoção da história do Regional, o primeiro totalmente feito de forma virtual.

“Foi um concurso digno de servidores excelentes, de um tribunal diamante. Apesar da pandemia, não perdemos o sentimento de servir, independentemente de onde estejamos lotados. Sabemos que as escolhas não afetam só o servidor, mas todos os seus familiares e amigos. São mudanças que trazem impacto em nossa vida profissional. Mas sabemos que as dificuldades preparam pessoas comuns para destinos extraordinários”, destacou o diretor-geral do TRE-PE, Orson Lemos, na ocasião.

A partir do concurso, 96 técnicos e 27 analistas conseguiram a remoção, após um processo considerado por todos como muito bem-sucedido.

 

Esse texto faz parte da série “Nós somos a Justiça Eleitoral”, que vai mostrar a todos os brasileiros quem são as pessoas que trabalham diariamente para oferecer o melhor serviço ao eleitor. A série começou a ser produzida em fevereiro, mês em que se comemora o aniversário de criação da Justiça Eleitoral e será permanente, como forma de mostrar as pessoas que diariamente fazem a democracia acontecer.

MM/LC, DM, com informações do TRE-PE

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