Lideranças femininas acompanham sessão do TSE desta quinta (23)

Entre as presentes, mulheres que buscam manter a pauta do combate ao feminicídio no debate político

Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE - Movimento Lidera+ Solidariedade visita TSE - 23.04.2026

Mais de 70 lideranças femininas de distintos locais do país ocuparam o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a sessão desta quinta-feira (23). São mulheres engajadas em ações políticas e que estão determinadas a incentivar cada vez mais candidaturas que respeitem a reserva de, no mínimo, 30% de participação feminina. Daí a preocupação delas em acompanhar atentamente os julgamentos pautados. 

“É uma honra estar aqui acompanhando e vendo em detalhes um julgamento no TSE. Para nós, mulheres, a cota de gênero é mais do que uma necessidade: é obrigatória para reparar danos. E isso vale para todas as cotas”, afirmou Stafanie Lucena, do Rio de Janeiro, que lida diretamente com mulheres em situação de vulnerabilidade. 

Exemplo de vida 

Em abril de 2019, Yannahe Marques, de Campinas, no interior de São Paulo, levou um tiro na cabeça desferido pelo marido, que, na sequência, tirou a própria vida. Segundo os médicos que atenderam a jovem, ela é um milagre e hoje se determinou a contar sua história para que mulheres vítimas de violência doméstica jamais desistam de viver. Para ela, essa força deve estar presente na política e nas eleições. 

“O tema ‘feminicídio’ não deve ser assunto apenas das eleições, mas um assunto constante no país, porque, infelizmente, os casos aumentam, as histórias tristes continuam acontecendo e todos temos de reagir”, defendeu Yannahe Marques, autora do livro Eu escolhi viver, que relata a experiência de ver a morte de perto, conviver com resquícios de bala no crânio e perder a visão.

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Expectativas elevadas 

Primeira pessoa vacinada no país contra a covid-19, em janeiro de 2021, Mônica Calazans, enfermeira intensivista do Hospital Emílio Ribas de São Paulo, era uma das mais entusiasmadas durante a visita. Para ela, estimular o debate político é essencial às vésperas das eleições gerais. 

“Quando se fala em política e há defesa das cotas, a expectativa é que mais mulheres se interessem em se lançar candidatas, ocupando os lugares que quiserem e estando presentes em todos os ambientes de decisão do Poder”, afirmou Mônica Calazans.  

Curso de formação 

As mulheres que estiveram no TSE participam de curso de formação de mulheres líderes para construir um futuro melhor. Em Brasília, o grupo visitou também o Congresso Nacional. 

A proposta que une essas mulheres é debater sobre a autopreservação feminina em espaços de poder, contato com os eleitores, captação de recursos e legislação eleitoral, além de promover discussões sobre violência de gênero na política, comunicação digital e gestão de crise.  

RG/LC/DB 

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