Jovens eleitores e veteranos se emocionam com a expectativa das eleições
Mutirão do TRE-DF leva biometria, regularização e transferência de título a região administrativa e mobiliza famílias inteiras em torno do voto

A menos de oito meses das eleições, eleitores de primeira viagem e veteranos compartilham emoções. Aos 15 anos, a estudante Maria Luísa da Silva Franco, moradora de Água Quente, região administrativa do Distrito Federal criada há pouco mais de três anos, ainda não pode votar. Como completa 16 em maio e passará a integrar o grupo do voto facultativo, decidiu “não ficar atrasada” e já tirou o primeiro título de eleitor, pois garante que quer participar das eleições gerais de outubro.
No Brasil, o voto e o alistamento eleitoral são obrigatórios para quem tem 18 anos ou mais e facultativos para os analfabetos, os maiores de 70 anos e as pessoas de 16 e 17 anos. As regras estão previstas na Constituição Federal (artigo 14 e incisos).
Jovem como a cidade onde vive, Maria Luísa começa a construir sua cidadania ao mesmo tempo que Água Quente constrói a própria identidade. Criada em dezembro de 2022, a região ainda carece de pavimentação, equipamentos públicos e infraestrutura básica. Enquanto isso, uma nova geração de eleitoras e eleitores desenha, com a própria digital, os rumos da democracia local.

“Eu acho importante votar para mudar a realidade da sociedade, do país. Só com o meu voto e o das outras pessoas é que podemos melhorar as nossas vidas”, afirma Maria Luísa, que já participa das conversas políticas em família, composta dos pais e dos dois irmãos mais velhos. Em casa, segundo ela, o voto é quase um ritual coletivo: “Vai todo mundo junto para votar”. E de uma coisa ela já sabe: em outubro, vai votar em alguém que apresente propostas para pavimentação das ruas e geração de empregos para os jovens.
Jovens em busca da cidadania
Nos dias 11 e 12 de fevereiro, durante mutirão promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) na região, jovens como Maria Luísa também compartilharam expectativas sobre a emissão do primeiro título e a efetiva participação nas eleições. A ação ainda englobou serviços como transferência de domicílio eleitoral, cadastramento biométrico e regularização de pendências, contando com grande presença de eleitoras e eleitores desde as primeiras horas da manhã.
Aos 17 anos, Kleiton de Sousa Batista foi um dos jovens que também compareceu para emitir o primeiro título. Incentivado pela mãe, Josilene Sousa, ele disse que encara o voto como uma nova responsabilidade: “É uma oportunidade de escolher uma pessoa certa, que ajude o povo de verdade, que não fique prometendo e depois não cumpra.” Morador de uma área ainda marcada por ruas de terra e alagamentos no período de chuvas, Kleiton associa o voto à possibilidade de melhorias concretas.
Já o irmão gêmeo dele, Clemerson, compartilha a expectativa e o nervosismo da primeira eleição. “Fico meio tenso. É tudo novo para mim”, contou, após ser atendido pela equipe do TRE. Segundo ele, em casa, política é assunto recorrente. “A gente fala muito sobre a situação do país e sobre a importância de eleger um candidato que queira melhorar nossa vida”, ressaltou.



Segurança, pertencimento e biometria
Para muitos moradores, votar na cidade onde vivem também significa pertencimento. Esse é o caso da técnica de enfermagem Iraci Almeida, de 54 anos, que acordou às 7h, em pleno dia de folga, para transferir o domicílio eleitoral. Moradora de Água Quente há 30 anos, Iraci votou em Goiás nas últimas eleições. Para ela, a escolha nas urnas precisa repercutir no lugar onde mora. “Agora, vou votar em quem, realmente, pode ajudar aqui”, afirmou. Ela cita como prioridades a oferta de creches, melhorias na BR e a construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região, onde espera trabalhar futuramente. “Votar perto de casa é comodidade, mas também é poder escolher representantes que olhem para a nossa cidade.”
A atualização da biometria foi outro serviço bastante procurado. Para Ivanir de Maria Oliveira, de 64 anos, a identificação biométrica traz mais segurança. “É a gente mesmo votando. Não tem outra pessoa para fazer no nosso lugar. Eleição é coisa séria. Se votar errado, afeta todo mundo”, afirmou.
Eleitorado atento
A confiança nas eleições também passa por preocupações contemporâneas. José Antônio Lisboa Portela, de 66 anos, elogiou a segurança da urna eletrônica, mas se disse em alerta por causa do uso de inteligência artificial (IA) nas campanhas eleitorais. “Não me preocupo com a urna. Ela é confiável, mas a IA me preocupa. Podem fazer uma pessoa parecer outra e dizer coisas que não são verdade. Isso merece cuidado”, argumentou.
Regularizar para participar
Após anos sem o título, roubado quando morava no Maranhão, Laura Ferreira Nunes, de 57 anos, poderá votar novamente. A regularização eleitoral resolveu inclusive pendências no CPF. “Agora, eu vou votar”, afirmou. A filha, Atcha Simone, de 39 anos, que não votava desde 2017, também regularizou a situação. “Votar significa mudança, educação, trabalho. A gente quer um país melhor para os nossos filhos”, ressaltou.
Já Juarez Alves, de 59 anos, que vota desde a redemocratização, destacou que “regularizar o título é compromisso com a história democrática do Brasil”. O auxiliar de serviços gerais compara o voto à assinatura de um cheque: “Você precisa estudar bem em quem vai votar. Está dando autoridade para a pessoa decidir por você. Depois que ganha, não tem reprise”.
AN/RG, LC/DB

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