30 anos da Urna Eletrônica: o fim da intervenção humana no processo eleitoral
Como a votação, a apuração e a totalização dos votos de forma eletrônica acabaram com as fraudes

O uso da tecnologia foi uma resposta efetiva às fraudes que ocorriam, frequentemente, em diversas etapas do processo eleitoral. A implementação do sistema eletrônico de votação, apuração e totalização conferiu segurança e confiança às eleições no Brasil e passou a garantir que as urnas representavam a exata escolha dos eleitores, com o fim da intervenção humana no processo.
Desde o Império, a fraude era uma constante nas eleições brasileiras. Além de ferramenta de coação dos eleitores, atos desonestos eram utilizados como parte da estratégia de embate entre os grupos políticos, envolvendo o eleitor, o voto e o candidato.
Em que pese várias iniciativas, esse cenário começou a ser combatido de maneira estruturada a partir de 1932, com a criação da Justiça Eleitoral. Desde então, o processo eleitoral evoluiu no sentido da informatização para diminuir ao máximo a intervenção humana, principal causa dos erros, intencionais ou não.
Série de reportagens
A série "30 anos da Urna Eletrônica", produzida pela Secretaria de Comunicação e Multimídia (Secom) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra como o voto eletrônico gerou uma grande revolução no processo eleitoral brasileiro, que, por décadas, foi vulnerável a fraudes, extravios e erros humanos.
Em quatro matérias, publicadas nos dias 7, 9, 11 e 13 de maio, a série contará a história do nascimento da urna eletrônica, como ela funciona, a importância do equipamento para a inclusão de segmentos sociais no direito cidadão ao exercício do voto e como o sistema de votação é transparente, seguro, ágil e auditável.
Fraudes mais comuns
Antes do início da votação, cédulas preenchidas eram depositadas na urna de lona, ou seja, a urna, que deveria estar vazia, já chegava à seção eleitoral com votos dentro dela, o que ficou conhecido como urna grávida ou emprenhada.
Além disso, antes de chegar aos locais de votação, as urnas oficiais eram substituídas por outras repletas de cédulas preenchidas. Algumas eram roubadas, inviabilizando a votação em determinadas seções.
Também havia casos em que o eleitor que recebia a cédula do mesário entrava na cabina de votação e, em vez de preenchê-la e depositá-la, guardava a cédula em branco e colocava um papel qualquer na urna de lona. Outro eleitor depositava a cédula já preenchida pelo organizador da fraude, que repetia o processo fraudulento.
Foram ainda registrados casos de eleitor que apresentava documento falso para se identificar na seção eleitoral e votar. Assim, uma mesma pessoa acabava votando mais de uma vez em mais de uma seção eleitoral. Era possível, até mesmo, votar por pessoas já falecidas.
Também houve situações de fraudes ocorridas na apuração dos votos, que eram marcados com caneta azul na votação. Na apuração, utilizava-se caneta vermelha para identificar as cédulas apuradas. Nesse momento, ao se deparar com votos em branco, o apurador os preenchia com caneta azul.
Os votos eram consolidados em mapas eleitorais após serem apurados. Mas há registros de pessoas que informavam em voz alta os números errados para serem registrados no mapa eleitoral.
Por fim, houve registros de pessoas que digitavam o mapa de resultados e retiravam votos de um candidato e davam a outro, dentro da mesma legenda.
Veja mais casos de fraudes eleitorais comuns na época das urnas de lona.
Futura informatização dos votos
O recadastramento e a revisão informatizados do eleitorado brasileiro, feitos durante a gestão do ministro Néri da Silveira como presidente do TSE, em 1986, abriram alas e prepararam o terreno para a futura informatização dos votos.
Era imprescindível eliminar a mão humana do processo eleitoral e garantir o respeito à soberania popular. Assim, começou a ser escrito um novo capítulo da história das eleições no Brasil.
Leia mais sobre os atores envolvidos na informatização do voto.
Fim das fraudes
Desde a chegada da urna eletrônica, em 1996, não houve nenhuma fraude comprovada que pudesse alterar o resultado das eleições ou quebrar o sigilo do voto. Essa conquista deve-se também ao fato de o voto eletrônico ser auditável — os mecanismos que fazem as urnas funcionarem podem ser fiscalizados antes, durante e depois do pleito.
GR/LC
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