Eleições 2026: Teste de Confirmação começa nesta quarta (13) e valida melhorias nos sistemas eleitorais
Etapa reúne investigadores que participaram do Teste Público da Urna 2025 e reforça transparência e segurança do pleito de outubro

Começou nesta quarta-feira (13), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Teste de Confirmação do Teste Público de Segurança dos Sistemas Eleitorais (Teste da Urna) de 2025. A etapa, que prossegue até sexta-feira (15), tem como objetivo verificar se as ações implantadas pela Justiça Eleitoral aprimoraram os sistemas a partir de achados encontrados pelos investigadores durante o Teste da Urna, realizado de 1º a 5 de dezembro do ano passado.
Na edição de 2025 do Teste da Urna, investigadores de diferentes regiões do país analisaram os sistemas eleitorais e executaram planos de ataque com o objetivo de identificar eventuais vulnerabilidades. Nenhuma das tentativas conseguiu comprometer o sigilo nem a integridade do voto.
Dentre os planos executados em dezembro, quatro foram selecionados para participar do Teste de Confirmação. Assim, a partir desta quarta-feira, os investigadores responsáveis por esses planos retornam ao TSE para verificar se as melhorias sugeridas por eles foram incorporadas ao sistema eletrônico de votação pelas equipes técnicas da Justiça Eleitoral. Nesta fase, os trabalhos serão acompanhados por técnicos da Universidade de São Paulo (USP).
Participam do Teste de Confirmação os investigadores individuais Vitor Aloísio do Nascimento Guia e Lúcio Santos de Sá. Já Carlos Alberto da Silva e Matheus Vianna Silveira atuam em grupo, representando a Faculdade de Computação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Entre as sugestões apresentadas pelos participantes, estão o aprimoramento de mecanismos relacionados à proteção ZipSlip, além de ajustes de sanitização e validação do Kit JE-Connect, entre outras medidas de reforço à segurança dos sistemas eleitorais.
Saiba mais sobre o Teste Público da Urna.
Construção coletiva
Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, o Teste de Confirmação representa uma etapa importante do processo contínuo de aprimoramento da urna eletrônica. Ele destacou que, embora o Teste da Urna 2025 não tenha identificado achados capazes de comprometer o sigilo ou a integridade do voto, os participantes apontaram oportunidades de aperfeiçoamento nos softwares.
“O que estamos fazendo agora é receber esses investigadores que indicaram melhorias para que possamos apresentar as correções implementadas e os avanços no sistema e mostrar como ele está cada vez mais seguro”, afirmou.
O secretário também destacou que o evento ressalta a interlocução permanente entre a Justiça Eleitoral e as entidades técnicas e acadêmicas que participam do processo. Segundo ele, representantes de universidades e especialistas colaboram ativamente para o fortalecimento do sistema eletrônico de votação, reforçando que a integridade da urna eletrônica é resultado de uma construção coletiva.
Participação de especialistas
Entre os participantes desta etapa, está o professor Carlos Alberto da Silva, da Faculdade de Computação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que esteve no Teste Público da Urna em dezembro.
Para o professor, os testes realizados pela equipe identificaram dois pontos que demandavam melhorias, embora nenhum deles pudesse comprometer a integridade das eleições. “No Teste de Confirmação, verificaremos se as correções foram implementadas no software que será utilizado nas Eleições 2026. Nosso objetivo era tentar alterar votos, mudando um voto de A para B ou de B para A, mas não chegamos nem perto disso. Apenas conseguimos identificar onde a informação estava”, ressaltou.
Carlos Alberto também destacou a importância da iniciativa. “As melhorias foram feitas, e estamos aqui para confirmá-las. É um processo transparente e muito importante para o fortalecimento do sistema eleitoral”, concluiu.
Fiscalização
Aline Barbosa de Moura, assessora administrativa do Partido Verde (PV), participa do Teste de Confirmação na condição de representante de entidade fiscalizadora. Para ela, a verificação da integridade do sistema eleitoral reforça a transparência de todo o processo e evidencia o papel fundamental dos partidos políticos nesse acompanhamento. “O PV sempre participa para atestar que todas as melhorias apontadas são devidamente implementadas e superadas pelo TSE”, destacou.
Além do PV, a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) enviaram representantes para acompanhar as atividades desta quarta.
Auditoria aberta e permanente
O Teste Público da Urna é uma das principais etapas de auditoria e fiscalização dos sistemas eleitorais. O objetivo é permitir que especialistas externos à Justiça Eleitoral analisem os programas utilizados nas eleições e contribuam para o aperfeiçoamento da tecnologia empregada no processo de votação e apuração dos resultados.
A 8ª edição do evento, que teve sua etapa principal realizada em dezembro, registrou recorde de participação: foram 149 inscritos e 109 planos de testes apresentados. Desses, 38 foram aprovados pela Comissão Reguladora.
Durante a semana de testes, 19 planos foram executados integralmente, dez foram executados parcialmente, seis não foram executados por opção dos investigadores, cinco sofreram alterações e dois novos planos apresentados não foram aprovados.
Naquela ocasião, os trabalhos foram acompanhados por técnicos do TSE, dos tribunais regionais eleitorais (TREs), da USP e de entidades convidadas.
Códigos-fonte seguem abertos
Embora esta seja a última fase do Teste da Urna, os códigos-fonte dos sistemas eleitorais seguem disponíveis para inspeção das entidades fiscalizadoras até a Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas, prevista para setembro de 2026, antes das eleições marcadas para os dias 4 e 25 de outubro, datas do 1º e do 2º turno, respectivamente.
AN/EM/DB

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