Inclusão eleitoral indígena: audiência pública no Pará coleta sugestões dos povos originários

Iniciativa inédita com foco nas Eleições 2026 recebeu contribuições para ampliar a participação desse público no processo eleitoral

Audiências Públicas TSE - TRE do Pará - 11.02.2026
Evento ocorreu na sede do TRE paraense, em Belém (PA). Foto: Divulgação TRE-PA

Incentivo ao alistamento eleitoral indígena, criação de zonas eleitorais nas aldeias e tradução de materiais para as línguas faladas pelos povos originários foram algumas das contribuições apresentadas nesta quarta-feira (11), na audiência pública realizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Belém (PA), com o intuito de ampliar a inclusão desse público no processo eleitoral. O evento encerrou o ciclo de audiências públicas destinadas a coletar sugestões para as resoluções que regerão as Eleições Gerais de 2026.  

Iniciativa inédita do vice-presidente do TSE e relator das resoluções, ministro Nunes Marques, o evento no Pará coletou, de forma direta e qualificada, sugestões dos povos indígenas e de outros grupos minorizados, com a finalidade de fortalecer a escuta institucional e aumentar a participação social. A audiência pública foi transmitida ao vivo pelo canal da Justiça Eleitoral no YouTube e teve tradução em três línguas indígenas: Munduruku, Wai-Wai e Nheengatu.  

Segundo o ministro, esta foi a primeira vez que o TSE realizou uma audiência pública na Região Amazônica e na cidade de Belémcom a finalidade de construir políticas públicasvoltadas à promoção da cidadania. “A Amazônia é um território marcado pela diversidade cultural,pela ancestralidade e pela presença vivados povos originários do nosso país.O esforço da Justiça Eleitoral em asseguraro exercício do voto pelos povos originários,ribeirinhos e por todos os amazônicosé reconhecido internacionalmentee demonstra a excelência desta Justiça especializada”, disse o ministro, ao abrir a audiência.  

De acordo com Nunes Marques, a Justiça Eleitoral inicia uma nova fase,voltada a assegurar a participação efetivados povos indígenas no processo eleitoral,com fundamento nas ações afirmativasde ampliação da participação femininae das pessoas negras nas eleições. “A criação de cotas do Fundo Especial de Financiamento de Campanhadestinadas exclusivamente para candidaturas indígenas– que historicamente têm presença reduzidanas convenções partidárias – será primordial para incentivar a participaçãodessa parcela da população brasileiranas Eleições 2026”, afirmou o relator das resoluções.   

Audiências Públicas TSE - TRE do Pará - 11.02.2026

Nunes Marques é o relator das resoluções das Eleições 2026. Foto: Divulgação TRE-PA

Ao encerrar sua fala, o ministro destacou que a audiência pública em Belémreafirma o compromisso do TSEcom uma atuação democrática,transparente e participativa, sendo sempre observados os limites legais e constitucionaisque regem o processo eleitoral. “Nosso papel é infralegal,mas nossa responsabilidade institucional é ampla:assegurar que as regras do jogo democráticosejam legítimas, seguras e inclusivas.As contribuições aqui apresentadasserão cuidadosamente analisadase servirão de subsídio para a construçãode um texto final das resoluçõesque serão submetidas ao Plenário [do TSE]”.  

Inclusão social  

O desembargador José Maria Teixeira do Rosário, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), que sediou a audiência pública, destacou o compromisso da Justiça Eleitoral com a escuta, a inclusão e a participação social. “Ao abrir este espaço para povos indígenas e grupos minorizados,o TSE busca garantir que as normas eleitorais sejam não apenas tecnicamente adequadas,mas também socialmente sensíveis e inclusivas. Ressalto a diversidade étnica e cultural do estado do Pará e reafirmo a importância do diálogo e da construção coletiva para o fortalecimento da democracia”, disse.  

O presidente da seccional do Pará da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Sávio Barreto, ressaltou o compromisso da advocacia, regional e nacional, de defender a sociedade, em especial as pessoas e os grupos em situação de vulnerabilidade, participando ativamente de debates como as audiências públicas que discutiram as regras que regerão as Eleições 2026.  

O procurador regional eleitoral no Pará, Bruno Valente, salientou que as resoluções propostas trazem mudanças importantes para as eleições, e as audiências públicas, por sua vez, buscam aprimorar e promover uma maior participaçãodos indígenas no processo eleitoral. “Os povos originários são historicamente vítimas de violação e privaçãode direitos em diversas áreas. Há muito a se avançar na promoção de diversos direitos desse povo, e a participação eleitoralé essencial, mas essas minutas de resolução implementam melhorias importantes no processo eleitoral”, afirmou. 

1/ Galeria de imagens

Contribuições 

A audiência pública teve como foco as seguintes minutas de resolução:   

  • atos gerais do processo eleitoral;   
  • registro de candidatura; 
  • prestação de contas;   
  • Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC);   
  • propaganda eleitoral;   
  • ilícitos eleitorais;   
  • transporte especial para eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida aos locais de votação; e 
  • consolidação das normas relacionadas ao cidadão nas eleições.  

Participaram da audiência servidores de TREs da região Norte – como os do Acre, do Amazonas, de Roraima e do Tocantins –, representantes de entidades, como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), advogados e lideranças indígenas. Foram apresentadas sugestões para aumentar a participação dos povos originários na democracia, como o incentivo ao alistamento eleitoral, a criação de zonas eleitorais perto das aldeias indígenas e a tradução de materiais nas línguas indígenas. 

O procurador regional eleitoral no Pará, Bruno Valente, citou dados do Ministério Público que apontam que 30% da população indígena em idade eleitoral na região do Médio Xingu sequer tem título de eleitor. Ele também citou a ausência de zonas eleitorais nas terras indígenas – apenas duas no Médio Xingu. Valente sugeriu mudanças na resolução que prevê o transporte de eleitores indígenas para votar.  

Atualmente, há uma restrição para que o transporte não seja feito fora do município, divisão que muitas vezes não reflete a realidade dos povos originários. 

Também foi apresentada proposta para que haja a criação de partidos políticos que advenham dos próprios indígenas, como forma de evitar a desinformação eleitoral. Além disso, foi sugerida a exclusão da necessidade de serem criadas comissões de pertencimento étnico para o registro de candidaturas indígenas. 

O que vem em seguida   

Com a conclusão das audiências públicas, as contribuições coletadas serão registradas e analisadas tecnicamente, e as minutas de resoluções poderão ser ajustadas com base nas sugestões.   

Os textos finais serão debatidos e votados no Plenário do TSE em sessão administrativa. As resoluções devem ser aprovadas até o dia 5 de março.    

As regras aprovadas passarão a valer para todo o processo eleitoral.    

Confira a página das audiências para maisinformações.      

GR/LC/DB  

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