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Eleitorado indígena e quilombola aumenta nas Eleições 2026
Dados autodeclaratórios mostram aumento da representatividade desses grupos no cadastro eleitoral em comparação com as Eleições Municipais de 2024
As Eleições 2026 terão aumento da representatividade de eleitoras e eleitores indígenas e quilombolas no cadastro eleitoral. Em comparação com as Eleições Municipais de 2024, os dois grupos registraram crescimento expressivo no número de pessoas aptas a votar, movimento que acompanha a ampliação gradual das informações autodeclaradas na Justiça Eleitoral.
Segundo as estatísticas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o eleitorado indígena passou de 155.661 pessoas em 2024 para 287.157 em 2026. O aumento foi de 131.496 eleitoras e eleitores, alta de 84%. Já o eleitorado quilombola praticamente dobrou: passou de 95.409 pessoas em 2024 para 188.371 em 2026, crescimento de 92.962 eleitores, ou 97%.
Os dados biográficos sobre identidade de gênero, raça, etnia indígena, pertencimento a comunidades quilombolas ou tradicionais, língua falada exclusivamente ou concomitante ao português e indicação de ser intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) são autodeclaratórios e começaram a ser coletados pela Justiça Eleitoral em 8 de novembro de 2022. Por isso, a qualificação do cadastro eleitoral é gradual e depende, em regra, de nova operação eleitoral feita pela pessoa após a implantação dos campos.
Eleitorado indígena
Entre as eleitoras e os eleitores indígenas, o maior crescimento absoluto ocorreu no Norte, região que passou de 74.506 registros em 2024 para 136.978 em 2026. O acréscimo foi de 62.472 pessoas, alta de 83%, e respondeu por quase metade do aumento nacional desse grupo. O Norte também concentra a maior parcela do eleitorado indígena em 2026, com cerca de 47% do total.
O Nordeste aparece em seguida, com crescimento absoluto de 35.440 para 71.346 eleitoras e eleitores indígenas. O aumento foi de 35.906 pessoas, o que indica que o número mais que dobrou na região. No Centro-Oeste, o eleitorado indígena passou de 25.404 para 40.804 pessoas, crescimento de 15.400 registros, ou 60%. No Sudeste, o total foi de 9.790 para 20.251, alta de 10.461 eleitores, ou 107,21% de aumento proporcional. No Sul, passou de 10.521 para 17.178, acréscimo de 6.657 pessoas, ou 63%.
O detalhamento por unidade da Federação mostra que o Amazonas foi o estado com maior crescimento absoluto do eleitorado indígena, passando de 37.359 pessoas em 2024 para 73.580 em 2026, registrando um aumento de 36.221 eleitoras e eleitores. Em seguida aparecem Pernambuco, com acréscimo de 19.431 pessoas; Roraima, com 11.530; Mato Grosso do Sul, com 7.134; Mato Grosso, com 6.974; e Pará, com 5.900.
Etnias
No recorte por etnia, os dados de 2026 permitem identificar os maiores contingentes por grupo indígena e onde eles se concentram regionalmente. Entre as etnias informadas, os maiores contingentes são Tikúna, com 19.062 eleitoras e eleitores; Makuxí, com 14.935; Kokama, com 12.551; Xucuru, com 10.295; Kaingang, com 9.152; Xavante, com 9.014; Tenetehara, com 8.499; Mundurukú, com 7.839; Guarani Kaiowá, com 7.546; e Terena, com 6.720.
A distribuição regional desses grupos ajuda a localizar os principais destaques do cadastro. No Norte, sobressaem Tikúna e Kokama, com forte concentração no Amazonas; Makuxí e Wapixana, em Roraima; Mundurukú, principalmente no Pará; além de Baré, Múra e Sateré-Mawé. No Nordeste, destacam-se Xucuru, Atikum, Pankararú, Fulni-ô e Pankará, com maior concentração em Pernambuco; Tenetehara, no Maranhão; Potiguara, na Paraíba; e Pataxó, na Bahia. No Centro-Oeste, os maiores contingentes são Xavante, em Mato Grosso, e Guarani Kaiowá e Terena, em Mato Grosso do Sul.
No Sudeste, destacam-se Xacriabá e Maxakali, principalmente em Minas Gerais. No Sul, o maior contingente é o de Kaingang, concentrado, sobretudo, no Rio Grande do Sul, no Paraná e em Santa Catarina.
Eleitorado quilombola
Entre eleitoras e eleitores quilombolas, o Nordeste concentra o maior contingente e foi a região que mais contribuiu para o crescimento nacional. O eleitorado quilombola nordestino passou de 51.633 pessoas em 2024 para 95.901 em 2026. O aumento foi de 44.268 registros, alta de 85%. A região reúne pouco mais da metade do eleitorado quilombola do país.
O Sudeste teve o segundo maior crescimento absoluto e a maior alta proporcional entre as regiões. O número de eleitoras e eleitores quilombolas passou de 17.638 para 45.305, acréscimo de 27.667 pessoas. No Norte, o total subiu de 17.895 para 32.853, crescimento de 14.958 registros. No Centro-Oeste, passou de 6.084 para 10.169, alta de 4.085 pessoas. No Sul, o eleitorado quilombola foi de 2.159 para 3.891, aumento de 1.732 eleitores.
Por estado, Minas Gerais teve o maior crescimento absoluto do eleitorado quilombola, passando de 12.712 pessoas em 2024 para 31.487 em 2026, aumento de 18.775 registros.
O crescimento dos eleitorados indígena e quilombola deve ser lido à luz da ampliação do preenchimento dos dados biográficos no cadastro eleitoral. Como essas informações são autodeclaratórias e passaram a ser coletadas após as Eleições Gerais de 2022, o avanço entre 2024 e 2026 reflete não apenas a variação do eleitorado, mas também o processo de qualificação cadastral, que permite retratar com mais precisão a diversidade das pessoas aptas a votar.
CA/GO/FP
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